BLOG DOS POETAS ALMADENSES

«A poesia é o espelho da cultura de cada país e nela se reflectem os estados de alma, anseios e aspirações... tudo o que diz respeito ao mais íntimo das pessoas, dos povos e da humanidade... que seja dita e cantada, que sirva para conectar para além do espaço das ideologias e dos sistemas, porque A POESIA É, FUNDAMENTALMENTE, UM ESPAÇO DE LIBERDADE.»

domingo, novembro 30, 2008

Poesia Vadia - sessão de Novembro

No último sábado do mês, neste caso Novembro, decorreu mais uma sessão de Poesia Vadia, como vem sendo habitual desde Março de 2003 (já lá vão mais de cinco anos... quem diria?).

Em breve contamos disponibilizar os videos deste encontro de amigos que têm em comum o gosto pela poesia.

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10 Comments:

  • At 4:51 da tarde, Blogger PreDatado said…

    Quando é a próxima?

     
  • At 5:51 da tarde, Blogger Naeno said…

    JOSÉ ALMADA

    O poeta escrevia e refreava a inquietude
    Para observar de uma posição doçura
    Se o que havia feito eram versos ou pinturas.
    O poeta catava das rosas o seu cheiro e ficava em êxtase,
    Tirava das pétalas mais envelhecidas
    Aquelas que fazem sombra ao galho
    Suas tintas matizadas,
    E aí compunha o resto do poema,
    E sua escrita invariavelmente,
    Era um contraponto no último nó
    Na boca dos proclames das diferenças
    Dos que contava nos dedos,
    Proletário, bóia fria, indigente,
    Negro alforriado, corações aperreados
    Dos que têm sede, como ele sentia. Gente.
    E por vê-los gente
    E só ele os via no dia e na noite,
    Não largava a tinteira,
    E com os dedos borrados de cores que não mais se distinguia,
    De que rosa tritura foram extraídos,
    Ele, almado, talvez o que mais expusesse a sua,
    Lançava pela janela papéis com inícios malogrados,
    Tintas com os tons mais misturados.
    E lágrimas, vertidas da nascente de sua alma.

     
  • At 5:53 da tarde, Blogger Naeno said…

    COMPANHIA

    Tudo chega ao mesmo tempo
    À mesma hora.
    Lembranças repetidas
    Nas suas ordens de chegada.
    Quando me quieto,
    Depois do ritual de preparar-me
    Para deitar.
    Quando ponho a cabeça
    E aqueço os panos por entre o corpo
    Tudo chega,
    Lembranças, tuas lembranças.
    Que vêm como pássaros buscando ninho
    Aquecer seus filhotes
    Que ao dia receberam visitas rápidas,
    De borboletas, restos de insetos,
    Que só receberam ao bico,
    Mas nenhum beijo.

     
  • At 5:55 da tarde, Blogger Naeno said…

    MÃOS DE DEUS

    Mãos de Deus dentro das águas.
    Apurando cores, entre o céu e o mar
    O Criador vai contornando
    O tom da tinta original.
    Ai, quanta tristeza
    Ver que o futuro é só isso,
    Os homens arrendando, descolorindo
    Deus consertando, de novo.
    Mãos de Deus dentro das matas
    Replantando, o igual
    Um verde que nunca conhecemos
    De outras cores pontilhados.
    Ai, que amargura
    Viver a vida no futuro.
    Coaxando numa lagoa,
    Teremos nos atrevido mais.
    Mãos de Deus do azul do céu
    Michelangelo refazendo
    O que terminou por contestar,
    De azul e branco retocados.

     
  • At 5:56 da tarde, Blogger Naeno said…

    ACASO

    Acabo de gritar que te amo
    E te mostrastes uma rocha vazada .
    Passaram-se minhas intenções quietas
    E ainda balança a folha... Essa me ama!
    Do teu silêncio nada tirei.
    Nem acresci a ele também nada.
    De uma gota sequer, a por no olho
    E nem vistes as minhas lágrimas
    Voltando à nascente, as ilusões desfeitas,
    E fica cheio meu coração novamente
    Um coletivo de vexados passageiros
    Trabalhadores que da pedreira retornam.

    Acabo de falar para o silêncio
    Que mesmo assim, te amo
    E a resposta que eu tento
    Não sai, não se torna invento,
    E mais real fica a ilusão que alimento ainda:
    Teu corpo de nuvem distante,
    Singrando o céu inatingível.
    Procuro por Deus e Ele, calmo
    Me responde, não a mim, mas finca na minha alma
    Que o amor é meu, que o amor sou eu
    Que o amor que clamo não é amor de vez.

    um beijo

     
  • At 5:57 da tarde, Blogger Naeno said…

    ATÉ AMAR

    Infinitamente belo
    É qualquer gesto que tu faças
    Como segurar presilha com a boca
    Antes de arrumar os teus cabelos.
    Quando te declinas a pegar no chão
    Um chinelo, um pano, o que te incomoda.
    Quando excitas antes de deitar
    E abre a porta e vai lá fora olhar
    Se nada há de errado ou fora do lugar.
    Ai, amor! Só amando, com o bem que te quero
    Sentindo-te ausente, ainda que perto,
    Com os nossos olhos
    Uns dentro dos outros.
    E é com esse amor que a ninguém diz nada,
    Mas que para mim é como divindade.
    E nunca duvido, nem sequer pensar, me passa,
    Por meus pensamentos, que ele é demais.
    Jamais será assim, nunca sobrará.
    Porque como o ar que me faz falta até na morte,
    É muito forte, farto, não sobra e nem falta.
    Já me declinei diante de ti
    Ajoelhado diante de uma Santa.
    E se alguém, que não convém, pensar
    Julgar que amor assim não subsistirá
    Alucinado, com as estrelas cândidas,
    Saiba: é um liberto em queda livre
    E que um amor como o meu não conta
    Ninguém no mundo que já sentiu, falou.

    um beijo

     
  • At 6:02 da tarde, Blogger Naeno said…

    Eu gostaria de saber como me tornar um membro do Blog dos Poetas Almadenses.

    Ficaria muito honrado.

    Eu tenho um blog: www.poemusicas.blogspot.com.
    Gostaria que vocês vissem a qualidade do meu trabalho e se tenho méritos para compor por vocês ESTA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE AMOR E ZELO À IMAGEM DE JOSÉ ALMADA, UM DOS MAIORES POETAS DA LÍNGUA PORTUGUESA.

    naeno_rocha@hotmail.com
    www.poemusicas.blogspot.com

     
  • At 6:04 da tarde, Blogger Naeno said…

    Daime a honra de lhes externar o que tenho de carinho e admiração ao Poeta JOSÉ ALMADA

    Beijos,
    Naeno

     
  • At 6:09 da tarde, Blogger Naeno said…

    CORPO DE MULHER

    Um corpo de mulher como é.
    É o mundo, a perdição de fazê-lo
    Antes de existir sequer
    Um beija-flor apaixonado.
    Uma visão que se tem voando
    Uma mulher vale,
    Uma mulher montanha,
    Uma mulher campina,
    Uma mulher colina.
    Caverna prazerosa
    Onde se passa a chuva
    E se aquece
    E se esquece que ali
    Vive-se a metamorfose
    Do gozo inundado, por todo o universo.
    Ela é tudo no seu lugar,
    E tudo dentro dela
    O emendo de vidas seriais.
    Toda mulher é homem quando quer
    Quando lhe toma o sexo
    E o sai como reflexo.
    O mundo tem a mulher como desejo:
    O sol de passar a língua quente
    Sobre o corpo dela.
    A lua de soprar frio
    Dentro de sua boca e toda estação.
    O dia, o seu dia, todos que ela elegia.

    Naeno

     
  • At 7:21 da manhã, Blogger ISA said…

    Lindos estes poemas que aqui tivo o prazer de ler. Estes poemas creio de Naeno.
    Parabéns!
    Isa

     

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